Reflexões urbanas


Eu até entendo que nada neste mundo é estático e que tudo está em constante processo de modificação. Nós mesmos mudamos o tempo todo. Não sou a mesma pessoa que começou este ano e certamente começarei o ano que vem (se vivo estiver) totalmente alterado. Mas em relação à minha cidade, gostaria que tudo transcorresse mais lentamente, que sobrasse tempo para nosso espírito saudosista se adaptar. 

Quando eu era criança brincava na Rua Nova de queimada com os meninos da vizinhança. Não passava quase carro nenhum e a brincadeira só era interrompida quando aparecia um doido na rua, e naquele tempo havia vários. Não eram doidos perigosos, eram incompreendidos. Hoje sabemos disso, mas naquelas priscas eras...


Dia de sábado havia um pequeno movimento de turista, mas nada que pudesse alterar a rotina pacata daqui ou nos fazer perder a essência de Meia Ponte.


Este ano, no feriado de Corpus Christis resolvi passear lá pela ala dos de fora e me surpreendi. Aqui na Praça Central não havia quase ninguém, um paradão gostoso, tranquilidade que experimentamos desde que o inconsequente Bar Central fechou suas portas e virou restaurante.

Mas, de volta aos turistas, havia tanta gente nos bares da parte da Rua do Rosário que se tornou Rua do Lazer, que faziam fila de espera para sentar. Isso mesmo, fila para sentar. E no antigamente deserto Beco do Amphilóphio, que algum político sem ter o que fazer transformou em Travessa Rui Barbosa, deparei com um engarrafamento de carros, enquanto o povo se espremia na tripa de calçada. Lugares iluminados, agitados, comércio vivo, gente que passeia e é feliz.

Voltei aqui para a Praça Central e novamente não havia quase ninguém. Um pequeno grupo em volta do Pit Dog e outro da Kombi corumbaense que vende um chope muito bom. Pensei: vou ficar por aqui mesmo. 

"Ó moço, dá cá um copo desse seu chope!"

Acadêmico Adriano Curado

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