Os esquecidos da Educação

Os esquecidos da Educação


Alunos do terceiro ano (Médio) do Colégio Vasco dos Reis, da Polícia Militar, na homenagem a José J. Veiga.

Os esquecidos da Educação

Colégio Vasco dos Reis, da Polícia Militar, homenageia José J. Veiga (*)

José J. Veiga, pela pena de Almir
Eli Brasiliense
Pedro Celestino da Silva Filho, político e poeta.
Bernardo Élis
Carmo Bernardes, o mineiro mais goiano
Meus escritos mais recentes acerca dos escritores goianos nascidos em 1915 não têm fim... Sempre imagino que o assunto se encerra, mas sou surpreendido com novos fatos e os trago aqui novamente. E nas últimas duas semanas as novidades foram muitas, como a mesa-redonda na Academia Goiana de Letras em que discorremos (Prof. Rogério Santana, da UFG, e os acadêmicos Miguel Jorge, Aidenor Aires, Moema de Castro e eu) sobre os quatro por mim listados – José J. Veiga, Eli Brasiliense, Bernardo Élis e Carmo Bernardes. Mas faltava um e o lapso inicial foi meu: Pedro Celestino da Silva Filho.


Eurico Barbosa, destacado membro da AGL, notou a falha e de imediato foi apontado para discorrer sobre o saudoso acadêmico e ex-presidente da Academia. Celestino (27/10/1015) é o nosso quinto centenário entre os grandes escritores de Goiás e mereceu belíssima – e emocionada – palestra de Eurico Barbosa, realizada na quinta-feira, 5 de novembro.

Na semana anterior, um fato triste – e vergonhoso – envolveu os quatro centenários.
Lêda Selma, presidente da AGL
Parêntese: aquele meu equívoco inicial foi marcante. Quem se lembrou dos centenários fixou o foco nos quatro citados. E assim fizeram também os organizadores da Feira Literária de Pirenópolis, a Flipiri – evento a que não sou simpático por razões sólidas que não vêm ao caso, agora. Pois bem! Caberia ao Estado liberar uma verba de cem mil reais, mas exatamente no dia de abertura do evento um emissário chegou à velha cidade para informar que o dinheiro não saiu. A feira se fez timidamente, os quatro escritores mobilizados para discorrer sobre Veiga, Eli, Bernardo e Carmo não puderam falar. Seriam palestrantes Bariani Ortêncio, Gilberto Mendonça Teles (que já estava em Pirenópolis, vindo do Rio de Janeiro), Leda Selma e Miguel Jorge– todos da Academia, da qual Leda Selma é presidente. Atente-se que apesar de ter partido de mim a iniciativa de homenagearmos nossos centenários, a SEDUCE, por razões muito especiais de sua titular e que não me cabe saber, decidiu alijar-me do processo. Fecho parêntese.

Outra entidade, a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música tem sessão marcada para o dia 12 de dezembro para homenagear os Escribas Centenários dos Pireneus: José J. Veiga nasceu numa fazenda entre Pirenópolis e Corumbá – e nesta foi registrado; Bernardo, corumbaense (as duas cidades distam apenas 17 km e as famílias tradicionais das duas cidades têm as mesmas raízes que, no dizer de Bernardo, fixam-se historicamente na antiga Meia-Ponte), Eli Brasiliense, de Porto Nacional, viveu alguns anos em Pirenópolis, onde foi professor, secretário da Prefeitura e dono de gráfica – e ali se casou. E Carmo Bernardes, nascido em Patos de Minas, trazido para Goiás nos primeiros anos de vida, auxiliava o pai em trabalhos nas fazendas nas regiões do Rio das Almas desde as nascentes (Pirenópolis) e todo o Vale do São Patrício. Ou seja, todos tiveram um tempo de vida à sombra dos Pireneus.

E na última sexta-feira, 6 de novembro, o Colégio da Polícia Militar Vasco dos Reis, por iniciativa da professora Viviane e a cobertura do corpo diretivo, envolveu o alunado na produção do XI Mostra de Vídeo realizada pelo educandário. Desta vez, o tema foi José J. Veiga. Estive lá, assisti a abertura, com apresentações artísticas dos alunos e expressivas manifestações de admiração à obra do goiano que, em toda a nossa história, mais distante se projetou – o autor de A Hora dos Ruminantes, nascido José Veiga e que incorporou um J. (jota-ponto) na construção de sua “marca literária”.

Rodovia Corumbá-Pirenópolis. A placa sumiu, a Agetop não a repõe.
Mais uma vez emocionei-me! Das mais de mil e cem dentre as nossas escolas públicas, somente o Colégio Vasco dos Reis, uma das unidades do Colégio da Polícia Militar de Goiás, lembrou-se de um dos nossos escritores centenários: escolheu Veiga e... desobedeceu a cúpula da Educação do Estado! Para estes, nossos escritores nada valem.


****
(*) O nome inteiro do estabelecimento é Colégio da Polícia Militar Polivalente Modelo Vasco dos Reis. Seu Diretor é o Tenente-Coronel Marco Antônio Ferreira e a Vice-diretora é a professora Cléa Regina Muniz de Brito. No corpo diretivo temos também a Tenente Waleska Farias - chefe da Divisão de Ensino - o Capitão Prado é o subcomandante e Fábio Vitorino é chefe da Divisão Administrativa. À professora de arte Viviane Bolba coube coordenar a mostra.  
Convidados: Coronel Antônio - comandante da Academia de Polícia Militar de Goiás; Ricardo Veiga, sobrinho do homenageado; maestro José Eduardo de Morais, representante da Secretária Raquel Teixeira, da Educação, e este autor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário