Vento no estoque, vaca no brejo!

 Eu e muitos dentre meus amigos temos um gravíssimo defeito – o de remover da lista de “amigos” pessoas que tiveram a sublime oportunidade de estudar e formar-se em universidades e exercem a língua – falando ou escrevendo – em um nível tão rasteiro que jamais seriam aprovadas num Exame de Admissão ao ginásio – as provas de Português, Matemática, Geografia e História que eram aplicadas a alunos de 11 anos, antes que os militares o eliminassem e confirmassem o caminho da falência do ensino.

Sim, queridos jovens leitores, o ensino no Brasil faliu de vez! Essa falência começou quando da Lei de Diretrizes e Bases que se instituiu em 1961 e foi posta em prática em 1962. O símbolo evocado pelos que viveram aqueles anos – este poeta se inclui – é a extinção do ensino de Latim no Ginásio. Ora: estudava-se a língua-tronco nos quatro anos de Ginásio e nos três de Clássico, para os pretendiam estudar as ciências humanas na universidade. Os que preferiam as ciências médicas e as exatas, cursando o Científico, teriam um ano mais de Latim.

Só para ilustrar – os países de línguas anglo-saxônicas ainda ministram o Latim – mas o Brasil, não... Nós não precisamos disso – deve ter pensado o idealizador disso, Darci Ribeiro – já nascemos condenados a uma qualidade duvidosa.

Dilma Rousseff, nossa presidente, não passou pelo Latim no Ginásio. Ou não forçaria a barra para ser chamada de presidenta. Mas, dir-me-ão os simpatizantes petistas e alguns letrados vinculados não só ao partido da estrela, mas aos movimentos feministas, “é certo, é direito” e até existe uma Lei. Sim, uma lei dos tempos de JK (ninguém é perfeito) que, para fazer média com o belo sexo (uai! Nós, homens, somos feios?), legislou que mulher no cargo de Presidente da República devia ser tratada por presidenta.

Aí está uma lei que eu não cumpro. Aliás, são muitas as que deixamos de cumprir, mas essa eu descumpro por escolha. E ainda bem que o caso só se aplica à presidente da República, não sendo cabíveis a presidentes de conselhos, clubes, associações, uniões ou academias. E não me venham com analogias e “por extensão”!

Ora! Não bastasse saudar a mandioca, evocar a “mulher sapiens”, discorre sobre a volta do “dentifrício para a pasta”, vê um cachorro em cada criança, não sabe o gentílico de Roraima etc. e tal, ela agora quer estocar ventos. Jorge Braga, cartunista e irreverente (existe cartunista que não o seja?) disse que estocar ventos não é novidade, e disse já existir o “pei...” Desculpe, Jorge, vou trocar a palavra para uma menos “dilmiana”: “Pum engarrafado”.

Em suma, essas teses discursadas por Dilma Rousseff em plena sessão de abertura dos trabalhos da ONU, ou seja, essa fala para o mundo habilita-a  um inexistente Prêmio Nobel da Estupidez, da Incoerência e da Falta de Discernimento. Ou um Prêmio Grammy de Quem Devia Ter Ficado Calada.

Volto ao que disse no primeiro parágrafo – aquilo de remover da lista pessoas graduadas que violentam nossa Língua. Trata-se de uma medida que adoto para com os que deveriam saber, mas nada sabem. As pessoas simples, sem escolaridade e sem rompantes e poses, estas eu mantenho comigo, pois mesmo praticando um português popular e simples, têm muito o que ensinar. Com estes, pratico a troca e temos sido felizes assim.

 Mas se a pessoa é presidente da República (em tempos passados, o cargo seria escrito com P maiúsculo; avacalharam tanto o cargo que o jeito é fazê-lo em minúscula), tem que falar direito. E, principalmente, jamais falar de improviso. E, mais grave ainda, precisa saber escolher seus redatores (conheço alguns semialfabetizados posando de redatores oficiais). E, sobretudo, respeitar o povo que a elegeu, bem como os que lhe foram opositores.

Mas dá para esperar isso de uma economista que jogou a economia nesse estágio? Ah, sim!... Se ela sequer aprendeu português e não consegue desenvolver um raciocínio lógico, aí a vaca fica mesmo no brejo!

Acadêmico Luiz de Aquino

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