Uma aula da Dra. Cristina

 O primeiro motivo foi o dever de ofício – escalaram-me para cobrir uma palestra no auditório do HUGO, dentro do programa de palestras desenvolvido pela Diretoria de Ensino e Pesquisa. E ao ver o programa, cumpri-o com a alegria de quem comparece a um evento por (também) dever amigo – e admirador.

Muito se tem falado sobre políticos, sobre a péssima qualidade que define a maioria, ou a quase totalidade, da classe política. O bom senso recomenda que as pessoas de bem procurem integrar esse meio, expor suas ideias, candidatar-se e, elegendo-se, lutar pela depuração do meio, mormente nos parlamentos dos três níveis de governos.

Um Congresso Nacional de duas câmeras (a dos Deputados e o Senado da República), 27 assembleias nas unidades federativas e quase 5.600 câmaras municipais – são milhares de eleitos, mandatários de cargos por quatro anos (no Senado, oito anos). E uma afirmativa que sempre me preocupa: a cada quatro anos, comentam os analistas que “esta legislatura tem pior qualidade que a anterior”.
Nesses momentos é que a velha máxima renasce – as pessoas de bem precisam entrar na política. E os mais pessimistas vão além, asseveram que muitas pessoas de bem convertem-se ao mal quando veem as oportunidades de se locupletarem.

Sou dos que creem que muitos se salvam nesse... mar de lamas. Ou que nem toda câmara – municipal, estadual ou mesmo as casas federais – seja, genericamente, um covil. Aos poucos, vemos novidades promissoras na Justiça, nas corporações policiais de várias naturezas e no Ministério Público. Se tais instituições já se renovam para melhor, o mesmo acontecerá, em breve, nos parlamentos.

Volto ao cerne do meu pensamento. Naquela manhã de terça-feira, o dia 8 deste setembro, assisti a uma palestra limpa e clara, uma verdadeira aula de atendimento em casos de queimaduras. A pessoa no tablado era a Dra. Cristina Lopes Afonso, a moça de Curitiba que, há trinta e tantos anos, foi agredida da forma mais vil e covarde pelo próprio namorado, que a embebeu em álcool e ateou-lhe fogo.

A partir daquele instante, foram muitos anos de dores inenarráveis, mais de vinte cirurgias, o tratamento longo e doloroso no principal centro de queimados do país – o Hospital de Queimaduras de Goiânia. Superado aquilo tudo, vitoriosa ante seus sofrimentos, Cristina tornou-se Doutora em Fisioterapia (atuando no próprio hospital onde encontrou alento e elevados resultados), professora universitária e, dentre outras funções e atividades, vereadora em Goiânia.

Sua palestra no Hospital de Urgências de Goiânia foi das mais aguardadas e festejada por dezenas de profissionais, grande parte destes seus ex-alunos na Esefego e, agora, colegas fisioterapeutas. Antes mesmo de concluir sua excelente preleção, era chamada para o lançamento de uma campanha de prevenção de acidentes na Justiça do Trabalho.

A agenda dela é assim, cheia de compromissos em Goiânia, por todo Goiás, pelo Brasil inteiro e, não raro, no exterior. Vê-la ao vivo, ouvi-la e absorver o que conta é algo de estimulante e maravilhoso! A Dra. Cristina não se preocupa em esconder as cicatrizes do corpo – ela venceu as dores e as sequelas, e quando nos mostra a sua vida e suas competências desperta-nos para a fé no amanhã.

Em suma – Cristina Lopes Afonso convence-nos de que nenhum mal que se arme contra o nosso corpo é capaz de nos “queimar” a alma. Ela nos mostra que sua alma não tem marcas negativas – nem cicatrizes!

Post. Scriptum. -O Dr. Luiz Fernando Martins, Diretor de Ensino e Pesquisa e anfitrião desses eventos, qualificou-a como “um exemplo de vida”. Ela discorda e evoca Sobral Pinto para dizer-nos que os ideais são e devem ser sempre os maiores propósitos).

Acadêmico Luiz de Aquino

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