A que nos leva o conflito?

 A casa dos últimos doze meses, pelo menos, na vida social brasileira – inclua-se aqui o futebol, a política, a economia e tudo o que resulta de bons ou maus resultados nesses tais segmentos da nossa vida – está intragável. Preocupante. Insuportável, em muitos momentos. Parece que tudo começou quando chegou o período da Copa do Mundo no Brasil e não estávamos prontos, ainda.

Não estávamos prontos no que se refere a mobilidade, ao bom acabamento das obras (dos estádios e vias de acesso), do complexo hoteleiro e... O que é pior, não estávamos preparados para jogar bola. A abertura foi um fiasco, um xouzinho de merda (desculpem, mas desde que descobri que essa palavra é vernácula e, por isso, escapa dos tais de “nomes feios” que minha mãe me proibia, perdi o pejo de dizê-la e escrevê-la), mas o pior ainda viria – aquele malfadado jogo com a Alemanha, que nos humilhou com nada menos que sete a um.

Sacudimos a poeira e voltamo-nos para a segunda paixão nacional (quando aplicamos a palavra “nacional” eliminamos o amor romântico, pois sempre achamos que isso é da nossa vida íntima e não do nosso social). Sim, a segunda – que é política. Incrível como conheço pessoas que juram odiar política, mas que se empenham com todos os esforços físicos e mentais para elaborar um melhor diagnóstico de tudo o que envolve o jogo de poder político.

Não preciso detalhar aquela campanha de baixíssimo nível. Todos nos lembramos bem das baixarias, das acusações levianas vindas de todos os lados e contra todos e, particularmente, do rol inacabável de lorotas contadas pela candidata à reeleição – mentiras essas que vieram à tona logo após sua vitória, mas antes da nova posse. E a posse se deu sob o constrangimento inevitável.

Outros sete meses mais e vemos o ministro-chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, vir a público jogar água fria na fervura das mútuas acusações e xingamentos trocados, em iguais níveis, entre defensores do governo e opositores, mormente entre os sem-votos e sem-cargos, mas militantes petistas, simpatizantes de outros partidos da base (de um lado) e o adversário aquartelado em sedas e linhos, carros de luxo e portando panelas por estes jamais manuseadas antes.

Mercadante lembrou a importância dos que antecederam o PT no governo, falou de seus acertos e vitórias e lembrou que a oposição de hoje também cometeu erros, sim, mas que acumulou acertos, em seu tempo de governo. Admitiu erros cometidos “por nós” e destacou o que de fato importa agora, ante as crises – a união em defesa do bem maior, que é o Brasil, e não o confronto que só prejudica.

No decorrer de todos os meses deste ano, ao mesmo tempo em que adiciono novos nomes de prováveis amigos à minha lista de contatos nas redes sociais, venho removendo muitas pessoas. Umas pouquíssimas por razões pessoais, mas muitas por conta da radicalismo inculto e burro, esse que estimula o confronto e fomenta o xingamento, que sugere “a briga” e evoca um tal exército de sem-terras para combater literalmente os “coxinhas” ou – o que me pareceu pior – as instituições armadas da nacionalidade.

Imagino, dentro da importância que só eu me dou (sim, já que meus pais morreram), ter sido o primeiro a aceitar a paz proposta pelo ministro petista. Aliás, esperei-o candidato na sucessão de Lula, mas... Não deu.

Saúdo essa proposta com boa vontade, tal como imagino tenha ela nascido no bom-senso de Aloísio Mercadante.


Acadêmico Luiz de Aquino

Nenhum comentário:

Postar um comentário