Ana Maria, a do Zé...

 Não fosse ela, a história da produção e dos bens culturais de Goiás seria outra! “Muito outra”, como dizia um amigo de meu pai para enfatizar graves diferenças. Parceira inseparável do advogado, professor, escritor de prosa e verso, líder e ativista cultural, presidente da Academia Goiânia de Letras por mais de dez anos e por tempo similar do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e, para não parar jamais, presidente do Instituto Cultural que leva seu nome e está sediado na casa em que a família morou nos primeiros tempos de seu casamento.

Parceira, sim, não apenas no conceito do estado civil, mas de atuar com a lealdade que a literatura consagra, como Cervantes imortalizou em Dom Quixote. Era com ela que José Mendonça Teles se abria de imediato, expondo em segredo de curta duração seus planos e projetos. Curta duração? Sim, porque assim que compartilhava com Ana Maria a sua nova ideia, as ações já eram iniciadas e logo, logo as coisas começavam a mudar.

Isso inclui as obras do mestre José, as decisões dele de se empenhar para vir a ser presidente da AGL e do IHGG, para participar de congressos e encontros culturais pelo Brasil e o mundo (participei de alguns desses ao lado de JMT, ora no Rio de Janeiro, algumas vezes em cidades do Rio Grande do Sul e uma em Jerusalém e outras cidades de Israel).

Impossível, pois, citar José Mendonça Teles sem que a imagem de Ana Maria nos venha. Impossível imaginar o José, em suas atividades várias, sem a presença alegre e contagiante de Ana Maria.

Entristece-me demais a notícia do desenlace, mormente porque só soube após o sepultamento (saí de casa bem cedo, com intenção de voltar logo. Mas ao fim da manhã tivemos, Mary Anne e eu, envolvidos com um probleminha de saúde do Lucas, o que nos tomou muitas horas). Eram mais de 19 horas quando recebi as mensagens via Net e, entre elas, belíssimo texto do amigo e confrade Iuri Rincon Godinho, amplamente divulgado nas redes sociais e na imprensa.

Ana Maria era a companheira de todos os momentos. Ao acompanhar o marido, tornava-se também nossa parceira e por ela existir tornava-se praticamente impossível não se localizar o José – era ligar e ela atender, ouvir nosso apelo ou mensagem e de imediato informar o marido. E era-nos também estranho ver o José Mendonça em algum evento sem sua parceira – a ausência sempre era notada e ele esclarecia, sorridente, a razão da impossibilidade momentânea.

Com a ausência de Ana Maria, Alessandra e Giovanna – as filhas – desdobram-se a zelar do pai, ofício a que se dedicaram sempre, envolvendo a mãe, exemplo inevitável e digno de ser seguido. A tristeza que de certo invade o Zé Mendonça é uma tristeza também nossa, dos confrades, parceiros, amigos, companheiros de muitas lutas e embates. Mas também é nossa a missão de segui-lo de perto, de tentar preencher um pouco do vazio.

Todos, indistintamente, sabemos o tamanho da dor e a extensão da tristeza. Deus escolhe nosso tempo, nossos momentos e recolhe-nos quando se cumpre nosso destino na vida terrena. E os amigos do Plano Espiritual hão de ter acolhido e instalado a nossa Ana Maria em certeza e conforto para que, do Alto, continue zelando por todos os que lhe foram queridos neste nosso ambiente tão conturbado.

Texto ao Acadêmico Luiz de Aquino

http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com.br/

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