Educação, no lar e na escola

 Por quatro dias, a fuga de um menino de 15 anos e de sua namorada (da mesma idade) – ele de Goiânia, a mocinha de Brasília – tomou conta dos noticiários. Polícia mobilizada, pai e mãe do mocinho chorando diante das câmeras, apelando ao filho que voltasse logo...

Na manhã de quinta-feira, o fujão e seus pais expuseram-se no noticiário da tevê, ao vivo. A mãe e o pai eram só alegria pelo fim da aventura em que o filho decidiu encontrar a namorada pela terceira vez (apenas) e levou consigo o carro da família. O reencontro foi de alegria e felicidade, pai e mãe chorando – mas o menino, indiferente.

O fato é emblemático. Pais, dos que se sacrificam mesmo pelos filhos e, nesse empenho, deixaram de estabelecer limites. Há tempos que o professorado brasileiro reclama das famílias, que agem como quem despeja os filhos nos portões das escolas e esperam chegar ao fim da adolescência como adultos bem educados... Pelos professores!

Não é bem assim. Cabe à família proporcionar essa faceta da Educação que equivale ao respeito que cada qual há de ter por seu próximo – e os próximos mais próximos são os pais e os irmãos, obviamente! Se o aluno chega à escola com uma boa educação de origem, pode-se apostar num adulto apto a se relacionar bem em qualquer nível. Se não...

Uma das evidências da falta de limites ficou clara no fato de o menino pegar o carro. O pai admitiu que ele dirige há alguns anos, por ser apaixonado por carros. Já o namoro teve o terceiro encontro marcado por essa fuga romanesca – e isso parece dizer que também a menina desfruta dessa liberdade precoce concedida por pais sem limites.

Uma boa educação, de casa, implica forjar o cidadão com a consciência de que existe um tempo para cada coisa – e para todas as coisas. Isso de combinarem uma fuga, ainda que com tempo marcado para durar, com o furto do carro dos pais dele e o descaso de ambos para com os pais demonstra o tipo de pessoas que estamos oferecendo ao futuro. Mas, é claro, o que vimos desses pais, mais especificamente dos pais do garoto, deixa claro que também os avós desse adolescente falharam.

E a escola? O que podemos esperar das escolas em que alunos adolescentes chegam armados, ameaçam e agridem professores e funcionários, promovem lutas corporais? Em alguns casos há, também, o apoio dos pais a essas extravagâncias – ou crimes.

Em Goiás, ao menos, sentimos que grande parte dos pais e mães desejam que o governo transfira escolas para a gestão da Polícia Militar, pois assim a disciplina funciona e os meninos se comportam. Mas também é notório que grande parte dos ex-alunos, quando adultos, rejeitam a disciplina militar e as fardas (como acontecia, também, nas gerações anteriores, com padres e freiras impondo o rigor religioso que resultou em solenes ateus, mas com boa base acadêmica e de valores morais).

A escola pública civil, hoje, é povoada, em grande parte, por meninos advindos de famílias problemáticas, com pais e mães (quando os há) sem tempo nem condições psicológicas, intelectuais e mesmo morais de promover a educação dos filhos. E são estes os que põem os dedos nos narizes dos professores, muitos deles abnegados, exigindo que “deem um jeito” nos seus monstrinhos.

O tema é inesgotável, extenso, complexo e demanda muita conversa, muita discussão. Mas algo há que se fazer, e com urgência! No noticiário do rádio, ouço que “se o Brasil oferecer hoje uma boa escola aos estudantes de 15 anos, aproximadamente, em breve terá o PIB aumentado sete vezes”.

Mas... Nem assim! Nem mesmo alegando melhores rendimentos pecuniários, provando por 2+2 ou a+b, conseguimos convencer os governos de que a Educação é o instrumento de solução de todos os nossos problemas.

Acadêmico Luiz de Aquino

http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com.br/

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