DM, 35 anos!

 Nestes tempos de concentração total nas telinhas dos tais “ismartefones” – isso que já foi telefone e hoje serve para acessar Internet, localizar-se geograficamente, trocar mensagens e imagens, fazer compras e consultas e, em breve, servirá até para exames clinico-laboratoriais... – e do total descaso para com o próximo, paramos para festejar os 35 anos do DM, um jornal analógico, em papel e tinta, vendido em bancas...

Ora: hoje ninguém mais se concentra – foca! (do verbo focar; como substantivo, trata-se de um mamífero da região Ártica e, na gíria jornalística, o aprendiz de jornalismo, o repórter em primeiro emprego ou, para usar a expressão da moda, o estagiário). Hoje, ninguém mais se lixa (se liga, diríamos antes) para o próximo, mesmo que o tal de próximo seja a mãe.Mas é aniversário do Diário da Manhã, o nosso DM, jornal diário que chegou às bancas e aos jornaleiros (existiram, um dia) no dia 12 de março de 1980. A cidade encheu-se, dias antes, de painéis (já eram chamados de outdoors) com fotos de alguns dos nossos. A minha cara não apareceu naquele imenso cartaz, pois quando foi concebido eu ainda integrava a equipe do Cinco de Março. E acompanhei Marco Antônio Silva Lemos do CMpara o DM, na Editoria de Política - fiquei por conta da Câmara de Goiânia.

Há poucos dias, escrevi que a Assembleia Legislativa nos deve – aos jornalistas e à História de Goiás – o reconhecimento do dia 5 de março como Dia da Imprensa Goiana. Certamente, os menos avisados imaginaram que eu me referia ao semanário que antecedeu este diário, mas a motivação maior está na data de 1930, quando pela primeira vez circulou um jornal no Centro-Oeste, a Matutina Meiapontese (em Pirenópolis). É certo que, apesar de ter sido o nosso semanário a principal trincheira goiana pelas liberdades, ao longo daqueles anos de ditadura, ninguém usaria o argumento de um veículo, apenas, para justificar esse registro.

Mas é o momento de regozijo pelos 35 anos do DM, sim! Um jornal que nasceu grande, que foi perseguido e até fechado uma vez pela intolerância dos que não acreditavam que os anos de arbítrio já não eram mais. Um veículo que, pelas mesmas razões, sofreu discriminação política e financeira também em nome da intolerância.Seria bom demais poder abraçar todos os companheiros daqueles tempos de começo, mas muitos já se foram – e entenda-se a mudança para outros veículos, para outras unidades federativas, para outras profissões e até para o Plano Superior. Não sendo, pois, possível, abracemos os que ainda nos são próximos, regozijemo-nos com os que transformaram suas vidas e busquemos na saudade o conforto das ausências eternas.


No afã do ofício, disposto a manter ágeis os dedos que digitam e lúcida a mente que recorda e cria, recria e ainda propõe, festejo a continuidade e antevejo outros anos, outros lustros, outras décadas.

Lustros... Quantos saberão ainda o que quer dizer isso? E falei ainda em trincheira, painéis, aprendiz e, talvez, outras palavras adormecidas. Perdoem-me os novos, sejam leitores ou colegas, confesso que gosto de exercitar a memória e as palavras. Foi esse gostar que me tirou da solidão das leituras, da grandeza do ensino e da monotonia das rotinas para me fazer repórter, redator, editor, articulista, cronista e sei lá mais o quê!

Sei, sim, que gosto do que faço. E gosto de tê-lo feito por aqui – desde o Cinco de Março.

Acadêmico Luiz de Aquino

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