A arte é um dom familiar

A semelhança entre obras da mesma família marca uma trajetória de produção. Joaquim Pompeu de Pina, irmão do meu avô paterno, produzia quadros entalhando casca de árvores e pintando telas.

Quando comecei a produzir quadros, optei pela madeira por ter tamanhos diversos, não padronizados e pequenos, o que reduziria o tempo de produção. Com o passar dos anos, o processo criativo pediu suportes em dimensões maiores, levando-me a pintar telas.

As pessoas me perguntavam o que eu era de Joaquim Pompeu, devido à semelhança dos traços e temas, e eu as respondia: “ele era meu tio avô”, sem saber o porquê de tal comparação.
O mais interessante é que, apesar da proximidade familiar, eu nunca tinha visto obras de Joaquim para usá-lo como referência ou coisa parecida. Ao me deparar com seus quadros, juro que fiquei muito assustado e questionei: “Como isso pode acontecer? Como eu produzo algo tão próximo?”. Pude reparar como pensávamos igual, como enxergávamos as coisas com o mesmo olhar.

Ao me deparar com uma coleção de telas a óleo, eu senti um calafrio, mais de 40 quadros reunidos em um painel. Aquilo parecia meu, era de arrepiar. Senti uma emoção tão forte que tive de sair do local. Hoje, tento compreender tal situação. Seria mera coincidência?

Acadêmmico Sérgio Pompêo de Pina Jr.

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