Não desarmam os palanques?

 Sim: não os desmontam, nem descem deles. Os extremistas da situação continuam festejando os últimos votos que confirmaram Dilma Rousseff presidente para os próximos quatro anos, e os extremistas da oposição falam em impeachment como se a medida fosse – como dizem os petistas mais afoitos – um terceiro turno (aliás, petista mais afoito pareceu-me o ministro Dias Toffoli ao encerrar os trabalhos pós-eleitorais vociferando o jargão “terceiro turno”).

Pessoas que tiveram o privilégio da boa escolaridade, portadores de diplomas que lhes asseguram salários confortáveis, ocupantes de bons lugares ao sol dos recursos materiais etc. – de ambos os lados – gastam tempo e espaço nas redes sociais, uns pregando um abaixo-assinado que propõe o impedimento da eleita, outros tentando demonstrar por meios nada convincentes que os escândalos do Mensalão e do Petrolão (em maiúsculas pela magnitude do dinheiro e dos reflexos desses males) foram inventados pela oposição, oposição essa que domina o Supremo Tribunal Federal (sim, alguns chegam a dizer essa bobagem) e que detém todos os veículos de comunicação e constitui o PIG – este, sim, um fictício “partido da imprensa golpista”.

Ainda que mal aplicadas, ainda que mal interpretadas, ainda que formuladas de modo a manter brechas pelas quais alguns conseguem escapulir pelos meandros dos procedimentos processuais, este país tem leis. E são muitas – há quem diga que elas são em número superior ao ideal. É também real que a impunidade permeia os meandros judiciários, como também é verdade que a corrupção, o tráfico de influência e os ouvidos e olhos omissos permitem que uns raros privilegiados cometam infindáveis séries de irregularidades sem serem incomodados.

Foi incrível e decepcionante ver o presidente Lula manifestar-se lá no exterior em defesa dos “companheros” acusados no processo do Mensalão, acusando o STF de “julgar politicamente”. Parece-me ele se deu conta do erro e procurou silenciar-se, depois. E a presidente Dilma, que tanto se contradiz em atos quando lembramos suas frases de campanha, afirma permitir que haja investigações. Mas manter Graça Foster na presidência da Petrobrás lembrou-me Henrique Hargreaves, que se demitiu do ministério para ser investigado –ele retornou ao posto, ante novo convite do presidente Itamar Franco, quando comprovada sua inocência. E não faltam rumores, capazes de levantar desconfianças, de que manter a amiga Graça Foster no mais alto posto da nossa mais amada estatal tinha o propósito de abafar o que fosse possível.

Em suma, são muitas as teorias da conspiração manipuladas em vários dos ambientes da oposição – e da situação também. Decepcionam-me os dois lados por seus exageros, cometidos de tal maneira que nos deixam – a nós, leitores de tantas baboseiras – ofendidos pelo quanto menosprezam nossa inteligência.

Quem conversa comigo, quem convive comigo já ouviu de mim que votei na Dilma em 2010 porque Lula pediu – e eu não a conhecia. Agora, não votei nem mesmo com Lula pedindo, porque já a conheço. E sinto-me confortável por não ter votado nela, nestes dias em que o segundo mandato se nos é apresentado como o mandato que – disse a candidata Dilma Rousseff – Aécio Neves estaria exercendo, com aumentos de impostos, cortes orçamentários volumosos na verba da Educação, denúncias mil de corrupção e outras medidas igualmente antipáticas.

Mas daí a pregar impeachment... Que nada! Ela que continue presidente. Nosso papel é permanecermos vigilantes, cobrando medidas saneadoras e respeitadoras (andamos fartos de mentiras, Dona Dilma!) e responsabilizando-se (isto sim!) pelos erros graves que a fizeram cometer um governo tão ruim que ela mesma o reconhece, mudando o rumo do discurso de campanha.

Acadêmico Luiz de Aquino

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