ALMA ATLÂNTICA

Brasigóis Felício

Não sou eu quem me navega
  Quem me navega é o mar.
       (Paulinho da Viola)


O mar navega o Ser,
nas tempestades
da palavra incendiada.

O poeta navega a esmo
no mar de dardos
de seus atos insensatos.

Em que oceano aceso
navega o poeta errante
na singradura do instante?

Uma vida morta
não tece a manhã
no sol do Ser.

Se não sou o mar
em eterna luta
e contradição,
eu me estanco
no pântano da mornidão.

Eu só desejo
amar no mar
o insondável
a revelar-se
em ritual de ser
limite e vastidão.

Amar no mar
que em tudo existe
a parte grande
da minha alma Atlântica