Para que serve a arte, para que serve um livro?

Amanheci tomado ainda pelas perturbações de sonhos, a memória efervescente atirando passagens de minha longa vida. Os personagens de "Confinados" ainda me pedem soluções, caminhos, parecem pessoas comuns de meu cotidiano. Embora eu os tenha criado, eles são, na verdade, criações do mundo a partir de minha vivência em sociedade. Por isso sempre que penso que são meus eles se rebelam, não, não são meus, são da humanidade. 

Não sei por que, saio da cama cantarolando Caiymmi, "no abaeté tem uma lagoa escura, arrodeada de areia branca; de manhã cedo quando a lavadeira passa bem perto do abaeté, vai se benzendo por que diz que ouve, ouve a zoada do baucajé...". Eu me entusiasmo com minha própria voz grave, imito Caymmi. E percebo o que é essa "lagoa escura arrodeada de areia branca" em minha vida. Isso me leva para outros pensamentos, a reflexão do que fazem os artistas, de como são importantes para nos ajudar a enfrentar os enigmas da vida.

João Batista de Andrade é ocupante da Cadeira XXVII, cujo Patrono é Sebastião Pompeu de Pina Júnior.