O velho fogão




Fogão velho da roça, desses de cimento queimado, encerado de vermelho, da comidinha caseira feita na banha de porco e temperada com alho socado. Ali o feijão borbulha noite inteirinha num caldeirão de ferro e no outro dia tem caldo encorpado e gostoso. Ali a carne de lata se desmancha e colore o arroz soltinho.

No forno do fogão a lenha já está assada a broa de milho, e enquanto o café escalda no coador de pano, já tem meninada em volta da mesa, cotovelos na toalha xadrez e olhares de infância feliz.

No rabo desse velho fogão, já se sentaram muitas gerações de prosadores, conversa que fluía macia, a lembrança acordada pela aguardente do engenho logo ali à frente.

Em dia de festa, espalham-se doces coloridos pelo fogão, queijo fresco do leite das curraleiras paridas, requeijão trabalhado por muitos braços, bolo de fubá fresquinho. Mas em ocasião de luto, rondam por ali homens sisudos, que fumam cigarros de palha e conversam em surdina, mulheres circunspectas e vestidas com discrição.

Passam-se as gerações e o fogão continua lá na cozinha. Vez em quando uma reforminha boba, um reboco acolá, uma nova demão de cera. Nada que comprometa a obra de arte. E em torno dele ficam as recordações das tantas gentes que estiveram ali e já não estão mais.

Adriano Curado

O papiloscopista medroso


Tem certas profissões que não combinam com algumas pessoas. E no caso de Wagner, não foi por falta de avisar. Desde criança ele sempre se mostrou muito nervoso e assombrado. Diziam seus pais que ele acordava com gritos pavorosos por conta dos sonhos que tinha.

Mas, enfim...!

Wagner, depois de muito estudar, conseguiu ser aprovado num concurso para papiloscopista da polícia técnico-científica. Uma grande conquista a estabilidade na carreira pública e o fim de longas maratonas como concurseiro. Só tinha um porém: ele continuava apavorado!

Homenagem a José Mendonça Teles


A Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM) está de luto pela morte do Acadêmico José Mendonça Teles, um dos fundadores da entidade e seu grande incentivador. A mãe de José. dona Celuta, era pirenopolina e igualmente membro da APLAM. Da inspiração de José saíram imortais peças em prosa e poesia sobre Pirenópolis, que estão publicadas em muitos livros. Éramos amigos e confidentes. Quando ele vinha a Pirenópolis, eu fazia questão de visitá-lo e levava biscoitos de farinha com erva doce, dona Ana Maria, sua eterna companheira, perfumava o sobrado com seu café fresquinho e a gente ficava horas jogando conversa fora. Ele me prevenia: "não se preocupe que você não me atrapalha, eu escrevo é nas primeiras luzes da aurora, na companhia dos pássaros." Essa foto é de autoria de sua filha Alessandra Teles na última visita que fiz a ele, em 02/11/2017. Por estar viajando, perdi seu sepultamento, mas rendo aqui minha homenagem singela a um homem tão imenso quanto humilde, desapegado da matéria e fascinado pela cultura: o imortal José Mendonça Teles.

Aniversário da APLAM



Hoje é o aniversário de fundação da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM). Fundada em 16 de abril de 1994, no Museu das Cavalhadas, concretizou-se um antigo sonho de Arnaldo Setti, Maria Eunice Pereira e Pina, Wilno Pompêo de Pina, José Sisenando Jayme e muitos outros. Nesses 24 anos de existência, a APLAM tem trabalhado para manter viva a cultura de nossa terra, bem como preservar a memória histórica dos grandes vultos que já a compuseram, mas que hoje labutam nos campos do infinito.

Encontro de Coroas do Divino


A Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), em comemoração aos seus 24 anos de fundação, aniversário que será no dia 16 de abril, promoverá o Concerto da W3 Filarmônica e Coral Vox Anime. Com regência do maestro Alexandre Innecco. Apresentando: Mozart – Missa da Coroação e Concerto para Clarineta. 

O local será na Igreja Matriz de Pirenópolis às 18 horas pontualmente, porque ocorrerá no intervalo entre duas missas. 

Não deixem de prestigiar, pois o Acadêmico Mley do Nascimento fará uma apresentação musical nessa noite.