O papiloscopista medroso


Tem certas profissões que não combinam com algumas pessoas. E no caso de Wagner, não foi por falta de avisar. Desde criança ele sempre se mostrou muito nervoso e assombrado. Diziam seus pais que ele acordava com gritos pavorosos por conta dos sonhos que tinha.

Mas, enfim...!

Wagner, depois de muito estudar, conseguiu ser aprovado num concurso para papiloscopista da polícia técnico-científica. Uma grande conquista a estabilidade na carreira pública e o fim de longas maratonas como concurseiro. Só tinha um porém: ele continuava apavorado!

Homenagem a José Mendonça Teles


A Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM) está de luto pela morte do Acadêmico José Mendonça Teles, um dos fundadores da entidade e seu grande incentivador. A mãe de José. dona Celuta, era pirenopolina e igualmente membro da APLAM. Da inspiração de José saíram imortais peças em prosa e poesia sobre Pirenópolis, que estão publicadas em muitos livros. Éramos amigos e confidentes. Quando ele vinha a Pirenópolis, eu fazia questão de visitá-lo e levava biscoitos de farinha com erva doce, dona Ana Maria, sua eterna companheira, perfumava o sobrado com seu café fresquinho e a gente ficava horas jogando conversa fora. Ele me prevenia: "não se preocupe que você não me atrapalha, eu escrevo é nas primeiras luzes da aurora, na companhia dos pássaros." Essa foto é de autoria de sua filha Alessandra Teles na última visita que fiz a ele, em 02/11/2017. Por estar viajando, perdi seu sepultamento, mas rendo aqui minha homenagem singela a um homem tão imenso quanto humilde, desapegado da matéria e fascinado pela cultura: o imortal José Mendonça Teles.

Aniversário da APLAM



Hoje é o aniversário de fundação da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM). Fundada em 16 de abril de 1994, no Museu das Cavalhadas, concretizou-se um antigo sonho de Arnaldo Setti, Maria Eunice Pereira e Pina, Wilno Pompêo de Pina, José Sisenando Jayme e muitos outros. Nesses 24 anos de existência, a APLAM tem trabalhado para manter viva a cultura de nossa terra, bem como preservar a memória histórica dos grandes vultos que já a compuseram, mas que hoje labutam nos campos do infinito.

Encontro de Coroas do Divino


A Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), em comemoração aos seus 24 anos de fundação, aniversário que será no dia 16 de abril, promoverá o Concerto da W3 Filarmônica e Coral Vox Anime. Com regência do maestro Alexandre Innecco. Apresentando: Mozart – Missa da Coroação e Concerto para Clarineta. 

O local será na Igreja Matriz de Pirenópolis às 18 horas pontualmente, porque ocorrerá no intervalo entre duas missas. 

Não deixem de prestigiar, pois o Acadêmico Mley do Nascimento fará uma apresentação musical nessa noite.


A ORGULHOSA


I
Num baile.

Ainda há pouco pedi-te, 
Pedi-te para valsar...
Disseste - és pobre és plebeu;
Não me quiseste aceitar!
No entretanto ignoras 
Que aquele a quem tanto adoras,
Que te conquista e seduz, 
Embora seja da "nata", 
É plena figura chata, 
É fósforo que não dá luz!

II
Deixa-te disso, criança, 
Deixa de orgulho, sossega,
Olha que o mundo é um oceano
Por onde o acaso navega. 
Hoje, ostentas nas salas 
As tuas pomposas galas, 
Os teus brasões de rainha;
Amanhã, talvez, quem sabe?
Esse teu orgulho se acabe,
Seja-te a sorte mesquinha.

III
Deixa-te disso, olha bem! 
A sorte dá, nega e tira;
Sangue azul, avós fidalgos, 
Já neste século é mentira.
Todos nós somos iguais;
Os grandes, os imortais; 
Foram plebeus como eu sou.
Ouve mais esta lição:
Grande foi Napoleão, 
Grande foi Victor Hugo.

IV
Que serve nobre família, 
Linhagem pura de avós?
Se o sangue dos reis é o mesmo,
O mesmo que corre em nós!
O que é belo e sempre novo
É ver-se um filho do povo
Saber lutar e subir,
De braços dados com a glória,
Para o Pantheon da História,
Para conquista do porvir.

 
V
De nada vale o que tens 
Que não me podes comprar;
Ainda que possuísses 
Todas as pérolas do mar!
És fidalga? - Sou poeta!
Tens dinheiro? - Eu a completa
Riqueza no coração;
Não troco uma estrofe minha 
Por um colar de rainha
Nem por troféus de latão.

VI
Agora sim, já é tempo
De te dizer quem sou eu,
Um moço de vinte anos
Que se orgulha em ser plebeu,
Um lutador que não cansa,
Que ainda tem esperança
De ser mais do que hoje é,
Lutando pelo direito,
Para esmagar o preconceito
Da fidalguia sem fé!

VII
Por isso quando me falas, 
Com esse desdém e altivez,
Rio-me tanto de ti,
Chego a chorar muita vez.
Chorar sim, porque calculo, 
Nada pode haver mais nulo,
Mais degradante e sem sal
Do que uma mulher presumida, 
Tola, vaidosa, atrevida.
Soberba, inculta e banal.

A autoria desse belo poema é um mistério. Alguns atribuem a Antônio de Castro Alves, enquanto que outros afirmam ser de Trasíbulo Ferraz Moreira